Lucas Paião lança romance “Espera” e retorna à Biblioteca Monteiro Lobato, espaço decisivo de sua formação literária

O escritor Lucas Paião lança no próximo dia 24 de janeiro, às 14h, o romance Espera, na Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, em São Bernardo do Campo. O evento, que contará com um debate sobre a obra, marca a estreia do autor no gênero romance e simboliza um retorno significativo a um espaço que foi fundamental para sua trajetória intelectual e literária.

Nascido e criado no Jardim Laura, em São Bernardo do Campo, Lucas Paião teve sua primeira experiência formativa no universo da crítica literária justamente na Biblioteca Monteiro Lobato, em 2011, quando se inscreveu no curso livre de Crítica Literária do projeto Tantas Letras. Mais de dez anos depois, ele volta ao mesmo local para apresentar ao público seu primeiro romance publicado em formato físico, consolidando um percurso que une formação acadêmica, prática profissional e dedicação contínua à literatura.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, Paião vive no Rio de Janeiro há quatro anos, onde cursa Letras e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Paralelamente à vida acadêmica, atua como publicitário e mantém presença ativa nas redes sociais como criador do perfil literário @umareviewqueninguempediu, no Instagram, voltado à crítica e à reflexão sobre literatura contemporânea. Em sua produção anterior, publicou Wanderleia, que também estará a vendo no próximo sábado durante o lançamento de “Espera”, uma curta tragédia moderna, disponível no Kindle.

O romance Espera é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1990 e se constrói a partir de narrativas paralelas que se entrelaçam ao longo do livro. A obra acompanha Sérgio, um homem que chega à cidade em busca da mãe biológica que nunca conheceu além de uma fotografia, e Maria, uma mulher que vive há décadas em situação de rua no Centro do Rio, afastada de sua própria memória e história pessoal. Os dois personagens são apresentados como sujeitos deslocados, marcados pela ausência de pertencimento e pela tentativa de reinscrever suas existências em um mundo que constantemente os exclui.

Com forte diálogo entre realismo social e realismo mágico, Espera propõe uma reflexão sobre a capacidade da ficção de reescrever, ou ao menos tensionar, a violência da realidade. A narrativa se apoia na rua como espaço simbólico e mítico, onde a fé, a palavra e a escrita assumem papel central na sobrevivência e na manutenção da esperança. Elementos da religiosidade de matriz africana atravessam o romance, reforçando a dimensão espiritual da busca dos personagens e ampliando o sentido do tempo e da espera como formas de resistência.

Segundo a proposta literária da obra, a escrita não aparece apenas como representação do mundo, mas como força capaz de abalar certezas, desmontar narrativas estabelecidas e reconstruí-las a partir de novos sentidos. Nesse processo, o romance questiona os limites entre realidade e ficção, colocando o leitor diante de histórias que foram silenciadas ou empurradas para as margens.

Publicado de forma independente, Espera tem 250 páginas, formato 14 x 21 cm e tiragem inicial de 200 exemplares. A ficha técnica reúne ilustração de Miguel Hatida, projeto gráfico de Marcelo Bugard e revisão assinada por Lucas Paião e Karoline Aguiar. O livro tem ISBN 978-65-01-76882-3 e preço de capa de R$ 54,90.

O lançamento na Biblioteca Monteiro Lobato reforça o vínculo entre a obra e o espaço público da leitura, destacando o papel das bibliotecas na formação de leitores e escritores. Para Lucas Paião, o retorno ao local onde iniciou sua trajetória crítica e literária representa não apenas a realização de um projeto autoral, mas também a materialização de um percurso em que a literatura se afirma como lugar de descoberta, pertencimento e possibilidade.

Rafael Marques

@rafael_marx

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *